Jogos de Simulação

Os jogos de simulação são uma actividade pouco conhecida dos portugueses em geral, mas já existem há algum tempo em Portugal.
Esta actividade, na sua vertente especificamente destinada ao meio castrense e tendo por finalidade a instrução e o aperfeiçoamento táctico, é já antiga no nosso país.
A mesa de jogo com a representação topográfica da região das linhas de Torres Vedras, que pertenceu a um oficial português do século XIX e que se encontra em exposição no Museu Militar de Lisboa, e a tradução - também oitocentista - das regras do Kriegspiel prussiano são disso exemplo.
Quanto aos jogos de simulação de cariz mais virado para a ocupação dos tempos livres, tanto de civis como de militares, e com propósitos mais pacíficos e ligeiros do que os anteriormente mencionados, esses são mais recentes entre nós, sendo de registar o crescimento da sua divulgação a partir de meados dos anos setenta.
A este facto não terá sido estranho o aumento do interesse por hobbies relacionados com a temática militar, como o modelismo ou o coleccionismo, os quais antecederam temporalmente (anos sessenta) o despertar dos jogos de guerra.
Ao contrário do que aconteceu com os pioneiros de há três (ou mais) décadas atrás, os entusiastas deste passatempo têm hoje em dia à sua disposição no mercado uma enorme variedade de material necessário à realização dos jogos, não só as figuras e os modelos, como também o material cénico e, sobretudo, a informação especializada e as regras.
Apesar da maioria destas regras se encontrar em língua inglesa, o que pode constituir um óbice para alguns, a investigação histórico-militar e técnica posta na sua realização e os períodos por elas abrangidos excederia talvez a imaginação mais ousada do jogador de há vinte ou trinta anos, obrigado a "cozinhar" as suas próprias regras para as batalhas das Guerras Napoleónicas ou da Segunda Guerra Mundial a partir da escassa informação a que conseguia deitar mão.
Assim podemos resumir os jogos de simulação como a ponta de um iceberg, em que o gosto pela investigação histórica, pela construção de maquetes, pela pintura dos modelos, pelo estudo das cores utilizadas (na Antiguidade e na Idade Média), os fazem ultrapassar os meros aspectos lúdicos, transformando-os em excelentes auxiliares educativos em diversas disciplinas curriculares.